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Por um Prato de Comida

Poemia



 
 

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Colateral

O amor fica rasgado na pele
memória que lateja o corpo todo
choro que inunda pelos poros
e nos arranca o peito e os olhos
ou rolar na cama com a nudez inútil
é uma febre que incendeia a alma
e perfura o coração de absoluto inverno




Escrito por marcântonio às 03h08
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Dosagem

Que historia é essa de me consumir aos poucos
Como se eu fosse um naco um gole um trago
Engula-me por inteiro e cuspa se for capaz
Não venho em conta-gotas nem deslizo ou escorro
Sou jorro e jato entro e saio arrebento e estouro
Se quiser é para sempre e o faça todo de uma vez e só

 



Escrito por marcântonio às 16h31
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Corso

Deu-me e levou meu tesouro

Enterrou-o dentro de mim

Já não hei como escavá-lo

Só mesmo as mãos alheias

Descuidadas e vorazes

Em suas rapinagens

 



Escrito por marcântonio às 17h20
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Pretenso

Amo você a cada instante

Amo a cada minuto

Mesmo teu amor mais distante

Mesmo minh’alma de luto.

Amo apenas porque preciso.

Porque sem você eu não vivo

Só não estou morto, querida,

Porque você é a minha vida.



Escrito por marcântonio às 01h16
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Gêneses

Você expia-me hecatombes
Ofusca meu olho de furacão
Envolve a mim redemoinho
Aprofunda-me oceano
Petrifica-me em lavas
Descongela-me labareda
Ilumina-me relâmpagos
Põe-me a dormir a sete palmos
Dá-me prantos noite adentro
Me desperta sol a pino

Você me encharca dessa argila
E em sua obra pouco importa
O que sobrou de ser humano
Em um amor dessa natureza



Escrito por marcântonio às 04h08
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Cinco


Quando te vejo, fico cego.

Quando te ouço, emudeço.

Quando falo de ti, exijo silêncio.

E o teu cheiro me paralisa.

Quando te toco, eu me emano em mim.

 

Tu és minha boca, meus olhos, meu nariz, meu ouvido, minhas mãos.

Tudo faz sentido quando estou em ti.



Escrito por marcântonio às 17h33
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Fendas


Algumas pessoas chegam, nos transformam por inteiro

Depois vão embora e nos deixam pela metade.

Essa parte que some é a que nos tornava únicos.

A que fica é para que não sejamos mais os mesmos.

 

Um grande amor entra e sai pelas janelas

De uma casa diferente.

 

Um grande amor, quando vai embora

Tranca a porta por dentro



Escrito por marcântonio às 16h10
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                                                                          Christine Sivette

 

Teus trajes

 

Estendo-te meus farrapos.

Cubra-te com eles.

 

Mesmo ensangüentados,

poderás desfilar

nas ruas, nas camas, nos espelhos.

 

Mesmo rotos, os frangalhos,

bastam de calor e espessura.

 

Foram rasgados de mim

naquelas noites absurdas.

 

Não me servem mais.

 

Os vista nas noites de gala.

 

Mesmo pobres, esses fiapos,

poderás ostentá-los.

 

Eles caem bem em tua alma.

 

E quem os vê em ti

nem percebe que são trapos.

 

Tamanha a elegância do meu coração destroçado.

 

 



Escrito por marcântonio às 18h02
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Uma História

 

Estive morto até sentir a cor da tua voz

desenhando eu te amo no meu peito

Estou aos teus pés até que consiga entender

com minhas mãos a sede do teu corpo

Estarei presente até que a brisa do teu amor

me diga adeus com a adaga do último beijo

E morrerei até que alguém se apiede de tanta luz

nessa saudade que te acaricia em vão

E nenhum barulho incomode teus passos que eu assopro

e o futuro seja teu até que enfim



Escrito por marcântonio às 12h13
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                                   Joaquin Cortes

 

Lassidão

 

O amor é voraz e se alimenta com fúria

Engole a porra a saliva a espinha

O amor é insaciável e sevicia

Ele presta pra cuspir na cara

E te prostrar na cama

O amor tem inveja do sexo

 



Escrito por marcântonio às 13h46
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Molotov

 

Lanço granadas aos moinhos de vento

E palavras ao léu com precisão

É do que me vale a mira santa

Nesses tempos sem alvos

Quanta bala perdida

Em vão



Escrito por marcântonio às 01h06
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Eclipse

 

A lua e o sol nascem todo dia

Mas morrem também

Bem melhor que aquele amor

Que vai e vem



Escrito por marcântonio às 12h18
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                                             Vita Jo van den Berg

 

Consciência

 

Pessoas têm cheiro e perfume

Que não estão na natureza

Também têm gosto de frutas

Que nunca ninguém pôs à mesa

 

Todo mundo sabe disso

Cada um é diferente

Mas nós nunca percebemos

0 sabor e o aroma da gente

 

Se alguém souber me dizer

O que exalo e qual meu prato

Empreste-me por um segundo

O seu paladar e o olfato

 

Porque autofagicamente

Quero provar se sou feito

Daquilo que oferto aos que amo

Mas que somente suspeito

 

Como, inalo, ouço e desenho

O corpo dos aos que me entrego

Mas comigo mesmo me sinto

Surdo, mudo, pétreo e cego



Escrito por marcântonio às 02h50
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                                                                                     Cartier-Bresson 

 

Louvação

 

Mato a sede no recanto da tua boca

E a fome no banquete do teu corpo

Depois durmo ao teu lado o sono nosso

E quando acordo minha vida é mais sagrada

 

O amor jorra e explode e se expande

E depois baila e contempla e permanece

Um sentimento que voa como o tempo

E que flutua, é iminência, e é tão frágil

 

Um acalanto nos proteja a madrugada

E a cada dia se proclame a paixão árdua

Amar é uma batalha incandescente

Um triunfo que se ostenta lado a lado

 

 



Escrito por marcântonio às 13h57
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                                                                    Max Waldman

 

Vôo

 

Quando uma mulher se solta,

ela vai embora.

Mas saiba que ela volta,

toda hora.

 



Escrito por marcântonio às 12h53
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Acordo

 

Ensine-me a distância e eu percorro

Diga-me a temperatura e eu fervo

Descubra o que falta e eu transbordo

Conte-me o que resta e eu atento

Mostre-me seu corpo e eu completo

 



Escrito por marcântonio às 15h39
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                                                  Max Waldman

 

Contradança

 

Aprendo com o tempo que nos resta.

Minha urgência é permanecer calado.

Saberei quando em seu corpo for festa.

Como em um baile, ao seu lado.

 



Escrito por marcântonio às 12h53
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                                                                           Max Waldman

 

Conjugação

 

Quem se entrega, se rende.

Quem conquista, domina.

Quem se arrisca, aprende.

Quem começa, termina.

 



Escrito por marcântonio às 11h58
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                                      Lewis Hine (1920)

 

Resquício

 

Viver dá trabalho, é ofício.

Nem rima com ócio, é difícil.

Viver é um troço vitalício.

 

E o negócio de morrer, um desperdício.

 



Escrito por marcântonio às 10h02
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                                                                                             Garry Winogrand

 

Aforismo

 

Viver não é malabarismo

Sobreviver não é cinismo

A morte não é um abismo

 

Mas é com tudo isso que eu cismo



Escrito por marcântonio às 09h02
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                                           Cartier-Bresson

 

Graça

 

Gosto de meninas dóceis

De alma gentil

Que mexem a boca

Como se fosse o quadril

 



Escrito por marcântonio às 11h19
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                                                                            Cartier-Bresson

 

Malvada

 

Gosto de mulher safada

De alma bandida

Que leva na cara

E é de bem com a vida

 



Escrito por marcântonio às 10h58
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                                                                    Armindo Dias

 

Maniqueísmo

 

A bondade é a virtude em busca de vícios.

Na mão dos tolos, deixa seqüelas.

 

A maldade vive à beira de um precipício.

Basta um passo em direção a ela.

 



Escrito por marcântonio às 13h30
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                                                                               Armindo Dias

 

Orai por nós

 

Oh, deus inexistente

Por quem zelam os oprimidos

Dá-me a fé que desdenho

E o perdão de que preciso



Escrito por marcântonio às 13h28
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 Ó meu amor (Danny Boy)
Ó meu amor, o mundo pra bem longe o chama
Vem da montanha, pra bem longe de mim
As folhas caem, faz frio e já anoiteceu
Você se vai e eu canto o seu adeus
Mas volte assim que o sol pousar no campo
Ou quando o céu trouxer a chuva boa
eu fico aqui na neve, à sombra ou na garoa
Ó, meu amor, ó meu amor que eu amo tanto
 Mas se ao voltar, não vir nem mesmo um jardim 
E se eu morri, então o amei até o fim
Você irá encontrar onde eu descanso enfim
Se ajoelhar e rezar a sós por mim
Eu sentirei seus pés tão leves sobre mim
E a terra quente me acolhe e sou feliz
Você se curva e jura o amor que eu sempre quis
E eu durmo em paz até você poder deitar-se aqui
 
Versão para Danny Boy, letra criada em 1910, por Frederic E. Weatherly, 
e música adaptada em 1913 de um clássico do folclore irlandês (Londonderry Air).
Esta triste canção é
considerada o hino da Irlanda do Norte.
No YouTube, há a interpretação de Maev, cantora do Celtic Woman:



Escrito por marcântonio às 12h18
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Quem mandou se meter?

 

Minha utopia foi fuzilada ao amanhecer

Morreu aos pés da infâmia

Sem direito de resposta ou defesa

Enterrada na vala comum

 

Ninguém reconheceu o corpo

Não deixa herança nem dívidas

Meu sonho era bobagem

E cuspiram nele sem dó

 

E riem, dizem bem-feito

Assim que se aprende a lição

Vou cuidar da minha vida

Antes que eu morra de novo

 



Escrito por marcântonio às 13h32
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Lacônico

Volta e diga o que falta

me ensina a calar a boca

quando te beijo

torne os meus

os mais lindos lábios

permaneçam selados

como cartas lascivas

para que eu pegue

as palavras

em minhas mãos

e possa dizer tudo

o que antes eram

apenas toques

covardes, calados

 

 



Escrito por marcântonio às 11h35
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                                                                                                Alexandre Órion

Youkali

Eu fui ao fim do mundo
num barco vagabundo
À luz de um céu profundo
Uma pequena ilha eu vi
Um sonho se anuncia
Uma fada é quem nos guia
E nos pede a cortesia
de adormecer ali

Youkali, pra lá que vou-me embora, eu sei
Youkali, é lá que sou amigo do rei
Youkali é uma terra abençoada por deus
Onde o amor nasceu
De uma luz como eu
Vejo nos olhos seus
É Youkali

Youkali é onde moram o desejo e o prazer
Youkali é amar sem precisar se esconder
A esperança
Onde o sol da liberdade surgiu
É a herança
De um filho teu por uma mãe gentil

Youkali, seus bosques têm muito mais vida, eu sei
Youkali, onde viver sempre feliz é a lei
Mas é fantasia,
eu bem queria, 
Nunca existiu nosso Youkali
É pura loucura,
a vida é tão dura
Nunca existiu nosso Youkali

A vida nos engana
Miragem cotidiana
A pobre alma humana
Sempre pensa em partir
Abandona
a própria terra
Procura a santa guerra
Onde o afeto se encerra
Em alguma Youkali


Youkali
, pra lá que vou-me embora, eu sei
Youkali, é lá que sou amigo do rei
Youkali é uma terra abençoada por deus
Onde o amor nasceu
De uma luz como eu
Vejo nos olhos seus
É Youkali

Youkali, seus bosques têm muito mais vida, eu sei
Youkali, onde viver sempre feliz é a lei
Mas é só um sonho,
sonhemos, proponho
Que possa existir nosso Youkali
Não deixem que eu morra
sem voltar pra lá
Pro meu país, nosso Youkali

 

Versão para "Youkali", de Kurt Weill (música) e Roger Fernay (letra).
Confira o original, em francês, na interpretação de Teresa Stratas, belíssima:

http://www.youtube.com/watch?v=1RlekqucDlU

 



Escrito por marcântonio às 00h14
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Fale Baixo

Se amou, o amor te chamou
Só ouve o amor se houve o amor
Ouvi, eu vi

 O amor é um barco e o mar

Se quebram nas ondas, nas noites mais longas

Não há quem chamar, ouviu?

 

Amor, murmure o amor

Ele chega tarde, se vai sem alarde

Reluz, eu vi

 

Ouvi, que havia o amor

Ele estava aqui

Eu juro que eu vi

Foi breve demais

 

O tempo é um instante e o amor, sua obra

O amor é diamante e o tempo o rouba

 

Se foi, o amor se foi

 

O tempo voou

Tão cedo acabou

Por fim, enfim

 

Amor, murmure o amor

 

Se disser que me ama

Fale baixo pra mim

 

O tempo é tão tolo, e o amor o louva

O amor é de ouro e o tempo o rouba

 

Chamou, o amor sussurrou

 

A chama do amor

só arde se por

um fio, um triz

 

Amor, sussurre o amor

 

Não deixe que saibam que eu amo

Nem que ouçam você partir


 Versão para Speak Low, de Kurt Weill e Ogden Nash; no link abaixo, Esther Ofarim e sua interpretação mais acelerada:

 

http://www.youtube.com/watch?v=WUROfwOWbD4



Escrito por marcântonio às 04h33
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Tempo e Amor

O tempo é autor, e o amor, sua obra

O amor tem valor, e o tempo o rouba

 

O tempo é senhor, e o amor, escravo

O tempo é ladrão do amor que eu escavo

 

O tempo é tão tolo, e o amor o louva

O amor é de ouro e o tempo o rouba

 

O tempo é tão duro e amor, tão leve

O amor é tão puro, e o tempo o leva

 

O tempo é um instante, e o amor, sua obra
O amor é diamante, e o tempo o rouba

 

 



Escrito por marcântonio às 11h58
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